ESTUDANDO
FRANCES
Para falar a verdade não sei
bem quando e onde exatamente se deu o ocorrido. De memória lembro-me de um
pastor amigo meu dizer que ele e alguns irmãos visitaram essa currutela algumas
centenas de quilômetros depois de Cuiabá. Era uma aldeia simples onde crianças
seminuas corriam de um lado para o outro. Havia uma igreja simples, feita de
madeira no centro da vila e ali o povo adorava a Deus.
Meu amigo pastor pregou na
igrejinha a noite e todos fervorosos aceitaram de bom grado a palavra do
evangelho vinda de um homem culto da cidade grande. Era um local adorável,
porém sem recursos e nem expectativas de progresso. Para se chegar lá só de
veículos com tração nas quatro rodas ou de avião. Só havia estradas de terra.
Quando chovia então o lugar ficava ilhado e isolado no fim do mundo. Os jovens eram alfabetizados por missionários
e geralmente nunca saiam dali por falta de recursos.
Depois da pregação, no outro
dia o pastor resolveu dar uma volta na comunidade e conhecer as pessoas.
Conheceu dano Alzira, uma senhora já vivida e simpática que havia pouco tempo
se convertido ao evangelho. “A melhor coisa da minha vida foi ter conhecido e
aceitado Jesus, meu filho”, dizia ela a todos. Conheceu Sr. Tomaz, um homem
rude de barba mal cuidada que dizia: “Acho esse negócio de religião perca de
tempo. Creio em Deus, mas não preciso dessas pataquadas que esse povo faz”.
Foi nessa volta pela vilinha
que o pastor reencontrou alguns irmãos que havia estado no culto. Entre eles
havia um irmão que não desgrudava de um livrinho. O pastor achou interessante e
elogiou o homem: “Você é muito estudioso. Vai aprender a ler e a escrever
logo”. “Eu sei ler e escrever desde pequeno irmão, estou estudando francês”,
disse o homem para a surpresa do pastor. “Mas porque você esta aprendendo
francês”. Homem respondeu com naturalidade: “Deus disse que me enviaria para um
país que fale francês”. “Será que é a França”, disse o pastor zombando do
irmãozinho.
No outro dia cedo o pastor
voltou para São Paulo com aquela história na cabeça: “Como pode um homem usando
chinelo de dedos, que não tem nada achar que vai ser missionário na França ou
em qualquer outro País!”.
Um ano, mais ou menos,
depois esse pastor amigo meu, voltou a mesma currutela. A desembarcar do
monomotor já foi perguntando as pessoas que o receberam: “Cadê aquele
irmãozinho sonhador que disse que seria missionário”. “Ele não esta mais entre
nós” disse um irmão. “Morreu?!”. “Não, ele esta na África na República do Congo.
Já abriu uma igreja em Moroni. e agora esta cuidando de mais três igrejas em
Brazzaville, Pointe-Noire e Loubomo. Ele prosperou tanto lá na África, que já
esta com planos de abrir igrejas também Kinshasa na Republica Democrática do
Congo. Hoje é ele que nos ajuda com oferta missionária”, foi a resposta que o
pastor ouviu atônito. “E qual a língua que se fala nesse país?”. O irmão
respondeu: “Frances”.
****************
Nenhum comentário:
Postar um comentário